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As principais objeções do brasileiro que pensa em comprar um imóvel nos Estados Unidos

Comprar um imóvel nos Estados Unidos pode parecer uma decisão simples quando olhamos apenas para casas, preços e oportunidades.



Mas, para quem está no Brasil, existe uma distância muito maior do que os quilômetros entre os dois países.


Existem dúvidas sobre financiamento, câmbio, impostos, segurança jurídica, administração do imóvel e até sobre o que acontecerá com aquele patrimônio no futuro.


E isso é absolutamente natural.


Quanto maior o investimento, maior tende a ser a quantidade de perguntas antes de tomar uma decisão.


Por isso, em vez de começar falando sobre imóveis, talvez seja melhor começar pelas objeções que normalmente aparecem na cabeça de quem considera investir nos Estados Unidos.



1. “Eu não tenho Green Card. Posso comprar um imóvel nos Estados Unidos?”


Essa costuma ser uma das primeiras dúvidas.


De maneira geral, um estrangeiro pode comprar imóveis nos Estados Unidos mesmo sem possuir Green Card ou cidadania americana.


Ou seja, a possibilidade de adquirir uma propriedade e a situação imigratória são assuntos diferentes.


Também é importante entender o caminho inverso:


comprar um imóvel nos Estados Unidos, por si só, não concede Green Card nem direito de residência no país.


O planejamento imobiliário deve caminhar separadamente do planejamento migratório.


Se existir intenção de morar nos Estados Unidos, o ideal é consultar um advogado de imigração para analisar as possibilidades aplicáveis ao caso específico.



2. “Mas eu não tenho todo o dinheiro para comprar à vista.”


Outra percepção comum é imaginar que um estrangeiro precisa necessariamente pagar 100% do imóvel em dinheiro.


Nem sempre.


Existem instituições financeiras que trabalham com programas de financiamento destinados a compradores estrangeiros, embora critérios, documentação, entrada, juros e condições possam ser diferentes daqueles disponíveis para residentes americanos.


Isso muda completamente a análise.


A pergunta deixa de ser apenas:


“Quanto dinheiro eu tenho para comprar?”


e passa a ser:


“Como posso estruturar esse capital dentro de uma estratégia imobiliária?”


Em alguns casos, preservar parte do capital pode ser tão importante quanto escolher o próprio imóvel.



3. “Com o dólar nesse valor, será que ainda vale a pena?”


Provavelmente essa é uma das maiores barreiras psicológicas para o brasileiro.


É natural converter tudo para reais.


Uma propriedade de US$ 400 mil imediatamente se transforma em milhões de reais na

calculadora.


Mas existe outra forma de analisar a decisão.


Se o patrimônio está sendo adquirido em dólares, sua receita futura, eventual valorização e posterior venda também estarão vinculadas a um ativo denominado em dólares.


Isso não significa ignorar o câmbio.


Muito pelo contrário.


Significa entender que a decisão não deveria ser baseada exclusivamente na cotação do dólar no dia da compra, mas dentro de uma estratégia patrimonial de médio e longo prazo.


No primeiro momento é impactante a diferença entre as moedas, mas todos que analizam o gráfico Real x Dolar histórico conclui que -"deveria ter investido antes", porém essa diferença vai continuar crescendo trazendo uma nova reflexão, -"não dá pra esperar mais, quanto antes melhor".



4. “Tenho medo de mandar meu dinheiro para outro país.”


Essa preocupação é compreensível.


Estamos falando de patrimônio construído durante anos e, muitas vezes, de uma operação realizada a milhares de quilômetros de distância.


Por isso, compreender como funciona uma transação imobiliária americana é tão importante quanto escolher a casa.


Uma compra envolve diferentes profissionais e etapas, podendo incluir Realtor, lender, title company, inspeção, appraisal, documentação contratual e procedimentos específicos para o fechamento.


A função desses processos não é eliminar todo risco existente em um investimento.


É criar procedimentos, responsabilidades e registros para a transação.


Quanto mais o comprador entende o processo, menos a compra parece um salto no escuro.



5. “E se eu comprar e o imóvel ficar vazio?”


Aqui entramos em uma preocupação legítima de qualquer investidor.


Vacância existe.


Assim como manutenção, impostos, seguro, HOA quando aplicável e outros custos relacionados à propriedade.


Por isso, a análise de um imóvel para investimento não deveria começar pela beleza da cozinha ou pelo tamanho da piscina.


Ela deveria começar pelo mercado.


Qual é a demanda naquela região?

Quem seria o provável inquilino?

Quantos imóveis semelhantes estão alugando?

Quanto tempo permanecem disponíveis?

Qual é o estoque concorrente?


Existe desenvolvimento econômico e populacional naquela área?


Um imóvel pode ser excelente para morar e não necessariamente ser um excelente investimento.


Comprar bem começa antes de escolher a propriedade.



6. “Como vou administrar uma casa estando no Brasil?”


Essa é outra objeção frequente e bastante prática.


Quem recebe o aluguel?

Quem conversa com o inquilino?

Quem resolve um problema no ar-condicionado?

Quem acompanha uma manutenção?

Quem procura um novo tenant quando o contrato termina?


O proprietário não precisa necessariamente executar pessoalmente todas essas atividades.


Existem empresas e profissionais especializados em Property Management, responsáveis pela administração cotidiana da propriedade conforme os serviços contratados.


Naturalmente, isso possui um custo e precisa entrar na conta do investimento.


A questão passa a ser menos “como vou administrar de longe?” e mais “qual estrutura preciso montar para administrar corretamente?”



7. “Os impostos não vão consumir meu lucro?”


Impostos precisam fazer parte da análise.


Mas existe uma diferença importante entre dizer que existem impostos e concluir que eles tornam qualquer investimento inviável.


Um imóvel pode envolver property tax, tributação sobre renda, possíveis implicações tributárias na venda e outras obrigações dependendo da estrutura utilizada e da situação do proprietário.


Para investidores estrangeiros, existem ainda regras específicas que precisam ser consideradas.


Por isso, Realtor não substitui contador, CPA ou advogado tributário.


A análise correta não é:


“Existe imposto?”


Claro que existe.


A pergunta deveria ser:


“Depois de considerar impostos, despesas e custos, esse investimento ainda faz sentido para meu objetivo?”


Nos Estados Unidos, os impostos sobre investimentos geralmente incidem sobre o resultado tributável, após as deduções permitidas.


Ou seja, se existe imposto sobre o lucro, é porque o investimento gerou resultado positivo.


Ainda assim, existem estratégias legais de planejamento tributário que podem reduzir ou postergar essa tributação.


Assim, parte do capital que iria para impostos pode, em determinadas situações, continuar sendo reinvestida e gerando patrimônio.



8. “E se eu precisar vender e estiver no Brasil?”


A distância física hoje representa uma barreira muito menor do que no passado.


Grande parte de uma transação pode ser coordenada remotamente, embora parte do processo necessite de um representante local, já temos dispositivos que permitem que essa transação em si seja feita 100% online.


Isso significa que possuir um imóvel nos Estados Unidos não necessariamente exige estar fisicamente no país sempre que alguma decisão precisa ser tomada.



9. “E se o mercado imobiliário cair?”


Pode acontecer.


Mercados imobiliários passam por ciclos.


Existem períodos de expansão, desaceleração, correção e recuperação.


O erro talvez seja imaginar que a estratégia depende de acertar exatamente o menor preço para comprar e o maior preço para vender.


Pouquíssimas pessoas conseguem fazer isso consistentemente.


Uma análise mais racional considera fatores como:


  • horizonte de investimento;

  • capacidade financeira;

  • geração potencial de renda;

  • localização;

  • estoque disponível;

  • desenvolvimento da região;

  • crescimento populacional;

  • infraestrutura;

  • oferta futura de imóveis;

  • objetivo patrimonial.


Quanto mais longo o horizonte, menos sentido faz avaliar uma decisão de anos exclusivamente pelas oscilações de alguns meses.



10. “Talvez seja melhor esperar os juros baixarem.”


Cenario 1


Se você é um residente com um financiamento atual de 2%, talvez faça sentido esperar.


Cenario 2


Se você é um estrangeiro, o que mais vale pra você é o preço e vantagens na negociação.


Quando as taxas estão altas os americanos seguram a compra deixando o mercado com inventario alto (muita casa à venda) isso faz com que os construtores criem ações de venda, é ai que você entra, voçê pode conseguir isenção dos custos de fechamento, maquina de lavar e secar, geladeira, percianas, e até mais por conta do construtor isso varia semanalmente de acordo com os resultados de venda da semana anterior.


Ok, você comprou com a taxa alta! Quando ela baixar você pode refinanciar e seu problema está resolvido. O custo do refinanciamento nunca vai ser igual ao da valorização de um imóvel no ciclo de alta se você comprou em regiões que estão se desenvolvendo.


Cenário 3


Se as taxas estão baixas, você compra com preço mais alto, perde todas as vantagens possíveis e segue com a taxa baixa, não pode fazer mais nada para corrigir o preço enquanto o comprador do Cenário 2 estará com preço e terá taxa igual a sua no refinanciamento.



11. “Não conheço suficientemente os Estados Unidos para escolher onde comprar.”


Talvez essa seja uma das objeções mais importantes desta lista.


Porque comprar o imóvel certo na região errada pode comprometer uma estratégia inteira.


E mesmo dentro da Flórida existem mercados completamente diferentes.


Orlando não é Miami.

Tampa não é Jacksonville.


E mesmo dentro da Grande Orlando, regiões separadas por poucos quilômetros podem apresentar escolas, desenvolvimento, infraestrutura, perfil de moradores, preços e perspectivas completamente diferentes.


É justamente aqui que conhecimento local ganha importância.


Não basta procurar uma casa.


É preciso entender onde aquela casa está inserida e o que está acontecendo ao redor dela.



12. “Tenho medo de tomar uma decisão errada.”


No final, muitas objeções chegam ao mesmo lugar.

Não é exatamente medo do dólar.

Não é apenas medo dos impostos.

Nem necessariamente medo do financiamento.


É o receio de colocar uma parcela importante do patrimônio em algo que ainda não se conhece suficientemente.


E talvez a solução não seja tentar eliminar todas as dúvidas antes de começar.


Pode ser simplesmente transformar dúvidas em informação.


Entender primeiro.

Planejar depois.

Comparar possibilidades.

Montar uma estratégia.

E somente então decidir se comprar um imóvel nos Estados Unidos faz sentido.


Sugestão: Não escute a todos, analise todos e escolha alguém que você entende ser a pessoa qualificada pra lhe orientar, questione o que não houver coerência sempre, mas manter uma relação com um profissional que você ainda não tem algum nível de confiança não é uma boa forma de começar, aguarde e escolha melhor. Lembre-se, nem sempre a gente ouve tudo o que quer quando estamos ouvindo a verdade, cuidado com quem só fala o que vai lhe agradar.


Você não precisa começar escolhendo uma casa


Existe uma diferença enorme entre estar interessado no mercado americano e estar pronto para comprar.


Nem toda pessoa que conversa comigo precisa comprar agora.


Às vezes, a primeira conversa serve justamente para descobrir que ainda não é o momento.


Em outras situações, ela revela possibilidades que o comprador nem sabia que existiam.


Por isso, antes de abrir site de busca de imóveis, escolher uma cidade ou começar a visitar imóveis, talvez existam perguntas mais importantes:


Qual é o seu objetivo?


Morar nos Estados Unidos?

Diversificar patrimônio?

Gerar renda em dólar?

Comprar uma propriedade para o futuro?

Proteger parte do patrimônio fora do Brasil?

Ou simplesmente entender se essa possibilidade realmente faz sentido para você?


A propriedade deveria ser consequência dessas respostas e não o ponto de partida.


A pergunta não é apenas “devo comprar?”


Quando alguém pensa em investir em outro país, ter objeções é saudável.


Significa que existe consciência sobre o tamanho da decisão.


Talvez você ainda não esteja pronto para comprar.


Talvez esteja muito mais próximo do que imagina.


E talvez, depois de analisar os números e entender o processo, conclua que esse não é o caminho para você.


Todas essas respostas são válidas.


O importante é que a decisão seja tomada com informação, planejamento e clareza e não baseada apenas no medo de fazer algo diferente.

 
 
 

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