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O dólar vai cair? Devo esperar para comprar nos Estados Unidos?


Essa é uma das preocupações que mais escuto de brasileiros que pensam em comprar um imóvel ou investir nos Estados Unidos:


“Tenho medo de mandar o dinheiro agora e depois o dólar cair.”


É compreensível.


Quando estamos falando de uma compra de centenas de milhares de dólares, uma pequena variação cambial pode representar uma diferença considerável em reais.


Mas existe outra pergunta que talvez seja ainda mais importante:


E se, enquanto você espera o dólar cair, ele subir?


O problema de tentar acertar o câmbio


O dólar não sobe em linha reta.


Existem períodos em que o real se valoriza, períodos de estabilidade e momentos em que o dólar recua significativamente.


Por isso, dizer que o dólar sempre sobe seria incorreto.


O que podemos observar é outra coisa: quando ampliamos o horizonte e analisamos décadas, existe uma tendência histórica de perda de valor do real frente ao dólar.


E isso não acontece simplesmente porque “o dólar é forte”.


Existem diferenças estruturais entre as duas economias que ajudam a explicar esse comportamento.


1. Produtividade


No longo prazo, produtividade é um dos principais motores da geração de riqueza de uma economia.


A própria OCDE aponta que o crescimento da produtividade brasileira ficou estagnado e que ainda existem importantes desafios estruturais para o país.


Quando uma economia consegue produzir mais valor utilizando seus recursos de maneira mais eficiente, tende a se tornar mais competitiva.


E competitividade importa para a moeda.


2. Burocracia e ambiente de negócios


Abrir empresas, contratar, investir, obter licenças, pagar impostos e cumprir regulamentações têm custos.


Quanto maiores essas barreiras, mais recursos são direcionados para lidar com a burocracia em vez de serem utilizados para produzir, inovar e expandir.


A OCDE ainda identifica no Brasil barreiras regulatórias relevantes que prejudicam a competição, o investimento e a produtividade.


É importante reconhecer que reformas vêm sendo realizadas. Mas problemas estruturais construídos durante décadas também não desaparecem da noite para o dia.


3. Um sistema tributário historicamente complexo


Durante décadas, empresas brasileiras conviveram com diferentes impostos incidindo em diversas etapas da cadeia produtiva.


O Banco Mundial já apontou que impostos sobrepostos e custos elevados de conformidade tributária geram distorções e prejudicam a eficiência produtiva.


A reforma tributária brasileira busca justamente simplificar parte desse sistema, e a OCDE considera que sua implementação poderá melhorar a produtividade e reduzir custos de conformidade.


Portanto, esse é um problema conhecido e que o próprio país está tentando corrigir.


4. Risco fiscal, político e institucional


Moedas também refletem confiança.


Investidores observam dívida pública, inflação, juros, estabilidade das regras, segurança jurídica, capacidade de crescimento e previsibilidade econômica.


Quando aumenta a percepção de risco, investidores podem exigir retornos maiores para manter capital em determinado país.


A OCDE continua destacando a sustentabilidade da dívida pública e a consolidação fiscal como questões importantes para a economia brasileira.


Corrupção, insegurança jurídica e instabilidade política também podem afetar decisões de investimento mas não são fatores exclusivos do Brasil nem explicam sozinhos o câmbio.


Então devo esperar o dólar cair?


Talvez essa seja a pergunta errada.


Se você está planejando comprar um imóvel nos Estados Unidos daqui a alguns meses, seu objetivo não deveria necessariamente ser adivinhar qual será a menor cotação do dólar.


Seu objetivo deveria ser reduzir sua exposição ao risco cambial.


Imagine que você tenha R$ 1 milhão reservado para investir nos Estados Unidos.


Enquanto esse dinheiro permanece integralmente em reais, mas seu objetivo futuro está denominado em dólares, existe um descasamento:


seu patrimônio está em uma moeda e seu objetivo está em outra.


Se o dólar cair, você ganha poder de compra.


Mas se subir, parte da sua capacidade de compra desaparece.


Uma alternativa: fazer o câmbio gradualmente


Em vez de tentar descobrir o “dia perfeito” para comprar dólares, uma estratégia possível é fazer remessas em etapas.


Por exemplo:

25% agora.

25% posteriormente.

Mais 25% em outro momento.

E os últimos 25% próximo da necessidade do recurso.


Dessa maneira, você cria um preço médio de aquisição do dólar.


Se o dólar cair depois da primeira remessa, você compra as próximas parcelas mais barato.


Se subir, pelo menos parte dos seus recursos já estava protegida em dólares.


Você deixa de tentar acertar o mercado e começa a administrar o risco.


A estratégia adequada, naturalmente, depende do prazo, da situação financeira e do objetivo de cada pessoa.


Existe ainda outro câmbio que muita gente esquece


Quem pretende comprar um imóvel nos Estados Unidos costuma olhar apenas para:

Real × Dólar.


Mas existe outra variável acontecendo simultaneamente:

Dinheiro × Imóvel.


Você pode esperar dois anos por um dólar melhor e descobrir que, nesse período, o imóvel

que pretendia comprar ficou mais caro.


Ou que os aluguéis aumentaram.


Ou que aquela região se valorizou.


Ou simplesmente que perdeu dois anos em que aquele patrimônio poderia estar trabalhando para você.


Portanto, esperar também é uma decisão financeira e também possui riscos.


Então, o que você está esperando?


Ninguém sabe quanto estará o dólar daqui a seis meses, dois anos ou dez anos.


Pode cair. Pode subir. E provavelmente fará as duas coisas diversas vezes durante esse período.


Mas, para quem possui objetivos de longo prazo nos Estados Unidos, talvez a discussão mais importante não seja:


“Quando o dólar vai baixar?”


Talvez seja:


“Quanto do meu patrimônio deveria estar exposto ao real se meus objetivos futuros estão em dólar?”


O câmbio perfeito talvez nunca apareça.


E enquanto você espera por ele, o tempo continua passando.


Às vezes, a melhor estratégia não é tentar prever o dólar.


É construir um plano que não dependa de acertá-lo.

 
 
 

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